sábado, 7 de abril de 2007

um panorama rápido do que é 'bom' saber

http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/431905

http://renascimento.clio.pro.br/O%20redespertar%20da%20antiguidade.htm

http://www.ricardocosta.com/pub/adoles.htm - O século XIII: adolescência da razão (ensaio) - tem Tomás de Aquino

ESCOLA DE BELAS ARTES DA UFMG 2007

veredas

“Imortal é o que é do sofrido; tudo abaixo daí, é póstumo”. Guimarães Rosa

TARSÍZIO

Sonhei com esse nome escrito em blocos de pedra inteiros e de mais ou menos um metro e meio fazendo as letras. Reparei que tinha um erro com a letra Z e o rapaz foi arrumar. Mas, atrapalhou tudo, já não soube voltar com as letras pro lugar e tudo virou um monte de pedras grandes entulhadas em pedaços . (F.)

Tarcísio: Do grego "confiança, coragem".

"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." Guimarães Rosa

****** O TRIUNFO DA ESCOLÁSTICA: A GLÓRIA DA EDUCAÇÃO



O TRIUNFO DE SÃO TOMÁS - Bonaiuti
"O afresco do triunfo de Tomás de Aquino traz a representação visual da natureza, da aquisição e da disseminação do conhecimento. Tributárias dessa alegoria, todas as imagens participam como um coro visual em torno da imagem central de Aquino sentado no trono. São imagens agentes que, ao exporem seus sentidos específicos, compõem ao mesmo tempo o significado total do afresco. Circundam o santo, num movimento de descenso e ascensão, e carreiam para a imagem central seus significados, rigidamente ordenados, seriados e classificados. Apesar dessa estrutura geométrica estática, na qual cada imagem se define por si, seus significados vazam e participam da retórica visual da composição da imagem de Aquino, em posição central e superior. Abaixo do círculo intermediário, dos planetas, no universo aquiniano, aristotélico, a Terra ocupa a posição mais inferior, a esfera sublunar, correspondente à sua inferioridade, pois é o lugar da geração e da corrupção, da impermanência, da instabilidade. O lugar onde se faz
necessária a ação do homem juntamente com a divina para a correção da obra de Deus.
Assim, vemos em movimento visual a atuação de Aquino como educador e condutor de almas através dos três círculos. Santo e patrono das escolas católicas e da educação, a partir de 1567, foi elevado à categoria de doutor da Igreja, e chamado de “doutor angélico”, em alusão à
sua sabedoria e aos anjos que habitam o primeiro círculo, o mais elevado, o mais próximo de Deus, o círculo das inteligências angélicas, do intelecto".
Legenda
1 - Caridade 2 - Fé 3 - Esperança 4 - Temperança 5 - Prudência 6 - Sabedoria 7 - Justiça 8 - Fortaleza 9 - Trabalho 10 - David 11 - São Paulo 12 - São Marco 13 - São João Evangelista 14 - São Tomás de Aquino 15 - São Mateus 16 - São Lucas 17 - Moisés 18 - Isaías 19 - Salomão 20 - Sibélius 21 - Averroés 22 - Ário 23 - Sete dons do Espírito Santo 24 - Quadrivium 25 - Trivium 26 - Sol 27 - Marte 28 - Saturno 29 - Júpiter 30 - Mercúrio
31 - Vênus 32 - Lua 33 - Direito civil 34 - Direito canônico 35 - Teologia antiga 36 - Quatro ciências teológicas 37 - Aritmética 38 - Geometria 39 - Astronomia 40 - Música 41 - Dialética 42 - Retórica 43 - Gramática 44 - Justiniano 45 - Clemente V ou Inocêncio IV 46 - Platão 47 - São Jerônimo 48 - São Dionísio Aeropagita 49 - São João Damasceno 50 - São Augustinho 51 - Pitágoras 52 - Euclides 53 - Ptolomeu 54 - Tubalcain 55 - Aristóteles 56 - Cícero 57 - Donato 58 - As ciências teologais 59 - As artes liberais

sexta-feira, 6 de abril de 2007

ESCOLÁSTICA DE OURO - Mestres franciscanos do século XIII

A ESCOLÁSTICA LATINA

"Havendo surgido nos círculo agostiniano, o nominalismo coere com as idéias universais do platonismo, bem como com o racionalismo a imaginar idéias surgindo sem a fonte da experiência. Aquelas idéias universais eram interpretadas como representando uma realidade. Agora, passam a ser apenas conceitos vazios. Já dizia anteriormente Roscelino, que tudo era senão sopro de voz. Faltava apenas criar um sistema para tudo isto, e que ao mesmo tempo cuidasse de se ajustar com o realismo da teologia cristã.
Praticaram o nominalismo William Ockam (c. 1280 - c. 1349), seu principal mentor, João Buridano (c. 1300 - 1358), Guilherme de Heytesbury, Gregório de Rimini (+ 1358), João de Mirecourt (c. 1345), Nicolau de Autrecourt (c. 1300- depois de 1350), Nicolau de Oresme (1310-1388), Alberto de Saxônia (c. 1316-1390), Gabriel Biel (1430-1495), e assim outros e outros, ninguém rigorosamente igual ao primeiro mestre".

A ESCOLÁSTICA

Educação e Cultura na Idade Média
Os Séculos IX e X: Scoto Erígena e o Problema dos Universais
Os Séculos XI e XII: Místicos e Dialéticos

Entre a doutrina e a retórica: os tratados sobre os quatro novíssimos Frei Antônio Rosado

A "literatura formativa"

HILARITAS

"Têm surgido de vez em quando no decurso dos séculos afirmações e tendências de cristãos demasiado pessimistas quanto ao homem. Mas tais afirmações foram desaprovadas pela Igreja e esquecidas graças a uma falange de santos alegres e activos, graças ao humanismo cristão, aos mestres de ascética que Saint-Beuve chamou "les doux" e graças ainda a uma teologia compreensiva. São Tomás de Aquino, por exemplo, coloca entre as virtudes a iucunditas ou seja a capacidade de converter num sorriso alegre" (...)
"Declarando ser virtude gracejar e fazer sorrir, São Tomás encontrava-se de acordo com a "alegre nova" pregada por Cristo, com a hilaritas recomendada por Santo Agostinho. Vencia o pessimismo, revestia de alegria a vida cristã, convidava-nos a tomar "ânimo também com os gozos sãos e puros que se nos deparam no caminho""

Alegoria e o misticismo dos números

O número 4
O número quatro é próprio dos quatro Evangelhos, como diz Ezequiel (1,4): "E no centro havia a semelhança de quatro animais" [20] . O quatro também significa misticamente as quatro virtudes dos santos: Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança [21] ; que, pela liberalidade de Deus, revigoram as almas dos santos. Daí que o Evangelho (Mc 8,9) diga: "E os que comeram eram cerca de quatro mil pessoas. Em seguida, Jesus os despediu" [22] . Quatro também diz respeito às quatro partes do mundo [23] a partir das quais a Santa Igreja se reunirá. Daí que afirme o profeta (Is 43,5): "Do Oriente conduzirei a tua descendência e do Ocidente eu te reunirei. Direi ao setentrião: ‘Devolve-os!’ e ao meio-dia: ‘Não impeças!’". Do mesmo modo, o quatro pode simbolizar os quatro elementos [24] dos quais é formado o corpo humano, pois principalmente deles depende a força e a subsistência do corpo. Com efeito, no Evangelho está escrito que o paralítico no leito era transportado por quatro [25] .

Amor o soberano das virtudes

Pintura do Renascimento Português - Col. Duques de Palmela


Arcanjo S. Miguel combatendo o dragão
Assunto: "... painéis do Retábulo da Vida da Virgem, de que estiveram expostas duas das suas oito tábuas (ver estudo em O Retábulo de Montemor-o-Velho).
agudização da consciência da mortalidade na sociedade do tempo, tomada de consciência essa que a vai condicionar na procura dos caminhos da Salvação.
E, seguindo a ideia de F. A . Baptista Pereira, vamos observar, nesse primeiro meio século de quinhentos, a imagem do espectáculo da emoção, a concepção do espaço teatral, a representação, diremos nós, dos momentos exemplares de meditação e de devoção. Procura-se a afirmação da piedade de cada indivíduo através das boas obras e da oração tal como o movimento da Devotio Moderna bem difundira pela Europa setentrional, sobretudo na Flandres e Alemanha, desde finais do século XIV".
O que, de forma muito elementar, acabo de referir vai, de algum modo, reflectir-se na aproximação que vos proponho ao painel intitulado Arcanjo S. Miguel, à Morte da Virgem, e ao já mencionado conjunto retabular de oito painéis com cenas da Vida da Virgem.
Uma primeira nota, e apenas nota, dirá respeito à caracterização geral dessas pinturas no contexto do renascimento português. De facto, o que há de icónico na produção de quatrocentos, dá lugar, em pleno século XVI, a um sentido humanista de representação narrativa onde a perspectiva traz nova dinâmica à função da imagem devocional. (...)
"Acima do firmal está representada uma cruz da Ordem de Cristo (o que indicia encomenda régia) e, como já referimos, nos pratos da balança, duas religiosas bernardas, em clara alusão à ordem cisterciense a que pertencia o mosteiro de S. Dinis de Odivelas".

BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL - cópias de tratados digitais ou digitalizadas

A presença do imaginário medieval no Brasil colonial: descrições dos viajantes

NOVA ESCOLA ON-LINE: TOMÁS DE AQUINO

CORPO E HISTÓRIA

Prof. Angelozzi e seu super site pra minha pesquisa

A astronomia na idade média


A educação dos meninos segundo Guilherme Tournay

EXCELENTE SITE PARA MINHAS CONSULTAS NO MOMENTO

COLEÇÕES ESPECIAIS

www.antiqbook.com

livros raros e inacessíveis! (link: o livro na idade média)

Libreria Toletta - não é pra quem quer é pra quem pode, tolinha!

Gata em Telhado de Zinco quente


Que saudade de uma briguinha!

ALELUIA é amanhã


causa mortis

AMOR SEXO E HUMOR tá precisando???

Ê Santo Agostinho, safado!

- "Meu Deus, dai-me castidade e contenção, mas não já".
- Deus te ouça!!!!. Mas antes é preciso tirar a cera do caminho!

Em busca dos lugares da memória

Tô procurando ...
sem lugar, mas tô procurando ...

Aqui em casa


quinta-feira, 5 de abril de 2007

A escritura da memória: mostrar palavras e narrar imagens Márcio Seligmann-Silva)(

"Um dos sonhos dos tratadistas da memória dessa época –
representado de modo exemplar pelo teatro da memória de Giullio Camillo – era
justamente conseguir reduzir todo o conhecimento macrocósmico em um
conjunto de imagens (um microcosmo) que poderia ser assimilado por uma só
pessoa, de tal modo que com um simples olhar sobre as imagens organizadas de
um modo panóptico, poderíamos nos apropriar de todo esse saber. A verdade
enquanto a-lethéia (termo grego para verdade que significa literalmente: nãoesquecimento)
tal como ela era pensada na tradição platônica, aliara-se de um
modo anti-clássico à doutrina da arte da memória. Por outro lado, a atração
renascentista pelo hieróglifo somada à releitura dessa tradição neoplatônica
por um filtro cabalista transformaram, finalmente, a arte da memória em uma
espécie de subgênero da escrita de mistérios e de enigmas típica da "era das
semelhanças", para falarmos com Foucault".

Enciclopédia Universal Multimídia On Line

Dialética e Melancolia

"(...) Segundo Klibansky , o gravado Melancolia § I, é herdeiro de toda uma tradição iconográfica medieval, pois esta gravura traz elementos já fixamente representantes da melancolia e de sua relação com Saturno, o deus do tempo, que no contexto medieval foi fortemente identificado com o comportamento melancólico, bem como sintetiza as opiniões correntes sobre o tema, com fortes influências neoplatônicas, chegando a ser identificada como a representação pictórica da melancolia teorizada e descrita por Marsilio Ficino, em De Vita Triplici, obra com a qual Dürer poderia ter entrado em contado através da interpretação de Cornelius Agrippa de Nettesheim. A presença do puto é interpretada como a figura de Eros, que é onde se concentra o problema maior do melancólico, em sua dificuldade de escolher o seu objeto de desejo, conforme o que a psicanálise desenvolverá posteriormente, e relembrando a ligação deste com sua mãe, na mitologia greco-romana, Afrodite, que tem em seu nome a partícula afros, espuma, pois teria nascido da espuma do mar, o sêmen de se pai castrado, Saturno, identificando a propriedade volátil e aérea que Aristóteles imputava a bile negra assim como ao vinho, os dois líquidos, ou humores, a determinar o comportamento humano. Este é um elemento muito importante de corporeidade em uma alegoria que sempre é identificada com uma transcendência sem corpo, um abandono do mundano em prol de uma elevação intelectual ou espiritual, como a melancolia. Na época que representa o auge do gênio e da originalidade, Dürer realiza o prodígio de consagrar-se através da releitura de toda uma tradição iconográfica, deixando residir sua originalidade na capacidade alegórica, no fazer uma obra iconográfica conter também toda a força e a beleza de uma obra de arte, o que ultrapassa os ícones medievais, que não queriam deleitar os sentidos, mas apenas comunicar uma idéia. O sucesso de Dürer residiria justamente em ultrapassar as barreiras do meramente iconográfico e atingir o alegórico. O que contrasta com o que diz Yates sobre a gravura São Jerônimo em sua cela, que por sua vez, não seria tão simbolista quanto Melancolia § I, fazendo com que o seu sentido seja dado pela apreciação da obra inteira, pelo contexto transposto na imagem e não tanto pela análise de cada elemento que consta em sua cena.Traça-se, aqui, uma insinuação interessantíssima: a de que, através da interpretação do De Vita Triplice feita por Cornelius Agrippa de Nettesheim e das correspondências de Ficino, editadas em 1497 por Antón Korberger, padrinho de Dürer, as teorias da melancolia da época tivessem influenciado também outras duas obras de Dürer , a saber, São Jerônimo em sua Cela e O Cavaleiro, a Morte e o Diabo, todas gravados que, juntamente com Melancolia § I, integrariam a tríade de ilustrações descritivas do estado melancólico e de suas potencialidades. Estas teorias postulavam três virtudes diferentes, divididas em Virtude Teológicas, Virtudes Intelectuais e Virtudes Morais . A estas categorias de virtude correspondem, respectivamente, diferentes fontes de melancolia: aquela oriunda da Imaginatio, propiciadora das artes e dos artistas, da criação, símbolo da inspiração divina; a Ratio, desencadeadora da intelectualidade, presente em filósofos e cientistas e, por fim, Mens, a virtude moral que permite resistir aos solavancos da melancolia e manter a reta conduta sem precipitar-se no abismo da loucura. A estas três situações melancólicas e categorias de virtude estariam diretamente relacionadas as três figuras citadas, Melancolia § I como representante da virtude teológica, o dom da criação, tão incontível que o sujeito quase não consegue sair do estado imaginativo para efetuar a ação; São Jerônimo em sua cela a representar o estudiosos, o filósofo, o tradutor, aquele que é dedicado ao serviço intelectual para aplacar sua dor ou para sondar-lhe as causas e O Cavaleiro, a Morte e o Diabo como o símbolo máximo do triunfo da virtude moral sobre as tentações e maldades do mundo, apresentado o cavaleiro triunfante e confiante passando indiferente pela morte a perscrutá-lo com a ampulheta inexorável do tempo e pelo diabo que não exerce sobre ele a mínima influência. Segundo a interpretação de Panofsky e Yates , Melancolia § I seria o primeiro dos três estágio da melancolia, passando para o Cavaleiro, a Morte e o Diabo, como estágio secundário e culminando em São Jerônimo em sua Cela, para representar o auge o comportamento melancólico, a melancolia inspirada. Isto, porém, não respeita a cronologia da composição das obras, e desconsidera a estruturação dialética de que o que vem primeiro, no caso Melancolia § I, mas em Platão os Primeiros Princípios, e em Hegel o Absoluto, é sempre o mais elevado".

Meus Tratados de Memória Além 'Froid' - edição original esgotada. Garanta agora seu Facsimile na Livraria Toletta, Veneza. Precinho camarada. ñ perca


Carlos Drumond de Andrade "11/05/88"


menino


meninos "28 de novembro de 86"


meu irmão "2005"

Blog da memória! Já valendo pro DIÁRIO que devo entregar!

Quais são minhas lembranças?
Maquete de ciências do homem na lua (é bem onde eu vivo com a cabeça!)

No terreno de areia branca fina que arrumamos, tinha as pegadas de Armstrong feitas com palito de palitar dente, plantamos uma bandeira dos E.U.A. no centro, acredito que com algo mais decente do que pauzinho de picolé. Enxarcamos a lâmina fina de isopor de 1 m com cola branca e jogamos a areia por cima pra que aderisse. Mas, quase nada ficava, e tínhamos que rezar muito na hora da apresentação pra não bater um vento forte no pátio e soprar tudo pros ares enquanto levávamos de maneira triunfal a maquete para o nosso recinto de apresentações: um cubículo de 3 x 3 m imaginário de que não podíamos arredar pé, por perigo de repreensão da madre superiora. É, estudei em colégio de freira, ainda tinha madre superiora enchendo o saco da gente, botando ordem nos corredores que davam para as salas, fora do horário de recreio. Mas, quem botava a mão na massa mesmo era a Tália, capacho dela, a general de plantão, a figura mais antipatizada da escola. Aliás a arquitetura do Colégio Imaculada é uma coisa muito interessante. Tem uma parte meio fantástica que me amedrontava um pouco por estar no subsolo. E era lá que ficava o laboratório de ciências. Eu botava a cara naquela janelinha miúda pra minha curiosidade, fazendo meus olhos ficarem maiores pros lados, espichando até a madeira da porta na divisa com o vidro, mas não tinha jeito, o que eu via tinha limite. E dava mais vontade de entrar. Era surreal ver aqueles vidros gigantes, cúbicos, com fetos mergulhados em líquido transparente, boiando na superfície. E bichos. Uns empalhados. Era assustador o mistério da vida. Não era tanto um espetáculo de horrores, era mais um atentado à vida em exposição pública que me horrorizava em alguma parte chamada ética. Ao mesmo tempo que era um lugar do maravilhoso, era um lugar do anti-ético, eu devia estar aprendendo essa palavra na época. Era um lugar do proibido moralmente, aqueles bichos todos, e vidas humanas, e suas partes, não podiam estar ali expostos ao nosso olhar. Isso me doía mais que tudo. Nem pensar em falar desses meus sentimentos com meus coleguinhas, longe disso, eu era muito surreal. Enquanto não podíamos entrar para a aula inaugural de ciências, eu sofria de abstinência de um futuro que eu ainda não conhecia. A porta de acesso principal, por que descíamos um lance pequeno de escadas, e dobrávamos pra esquerda pra pegar o corredor em que estava o meu espaço sagrado laboratorial, passou a ficar quase sempre fechada. Antes esse caminho era livre pras aulas de vídeo, que inventaram pra nos ensinarem catecismo e educação sexual. Mas, as aulas acabaram. Acabou a minha regalia esporádica de espiar pelo quadrante mágico o interior do laboratório, acesso exclusivo dos alunos das séries mais adiantadas. Toda vez que íamos pra sala de vídeo, passávamos em fila indiana em frente à porta do meu sagrado laboratório, cada vez mais longe. Agora até na hora do recreio, quando ali se tornava um lócus de passagem das faxineiras e não dos alunos, os portões da imaginação estavam fechados. E eu tentava burlar isso, de uma maneira até compulsiva. Descobri que tinha um outro jeito de chegar até o Inferninho, passando pelas costas da entrada da administração, depois de descer um pavilhão de escadas que me levava ao nível subterrâneo. Era uma geografia inexplorada e inacessível aos alunos, e eu só consegui me aventurar nos primeiros cinco lances de escada e voltar pra trás, morrendo de medo de ser pega pela psicóloga, cuja sala ficava ao lado. No mais, arriscava uma fugaz estrepulia, ficando dependurada no braço do para-peito escorregadio de mármore, pra ver a longa queda que dava nos retângulos do piso de madeira do meu corredor misterioso lá embaixo.
(obs: não tem 'estrepulia' no dicionário Aurélio do século XXI! Claro que não é 'estrepolia'!)

Eu vivia inventando essas 'passagens' nos meus sonhos! E na vida real, nessa tentação dos corredores, dava um jeito de escapulir da disciplina rígida de horários de aula, recreio, gincanas, datas comemorativas do calendário cívico, religioso e aniversário do colégio (esses com direito a missa na capela e ‘palinha’ da madre Poetas ao piano) só pra me aventurar nesse novo caminho.

Madre Poetas

Esse piano ficava escondido no canto escuro da parede, atrás da porta, numa via de acesso pela escada, meio clandestina, que dava para os corredores da parte nova do colégio recém-construída. Por uns tempos essa passagem ficou aberta pra gente, facilitando voltar do recreio pra sala de aula, mas depois foi fechada. Trancaram à chave e só o piano ficou lá dentro, mofando pro resto da vida. E madre Poetas nunca mais deu sua ‘palinha’. Me lembro dias antes desse enterro final da passagem secreta, madre Poetas sentada no banquinho, seu hábito branco, mal desenhado contra a penumbra do "quarto-de-sótão", dedilhando ainda umas notas, que queriam ainda sair alegres, mas falhavam, finas, o piano já sem força.
Sonhei muito com essa passagem!
... e eventos religiosos, reuniões de pais, festas do calendário folclórico e festivo como a festa junina, a mais badalada do ano. Quando a lojinha de material escolar foi pra lá, no subsolo, acabou com o meu encanto. Já não era mais o mesmo lugar misterioso de antes. Tinha gente zigue-zagueando pra tudo quanto é canto com pilhas de caderno, livros, estojo, merendeira carregados debaixo do braço, bolsas e mochilas escolares, mães, crianças, empregadas, tios, funcionários, fervilhando o corredor do Inferninho. Abriram um buraco na parede que dava pra rua e a claridade tomou logo conta de tudo. E ainda quando vi uma faxineira saindo do quartinho de material de limpeza com uma vassoura na mão, balde e pano, fiquei ainda mais decepcionada. Não sabia que ali era quartinho de despejo, igual o que tinha lá em casa, não tinha inventado ainda um nome praquele quarto que vivia fechado no final do corredor do laboratório. Cadê aquele refúgio solitário e mágico, isolado do mundo, de um pesquisador! E pior ainda - foi a morte derradeira -, quando o laboratório saiu dali e se aposentou no andar superior aos olhos de todo mundo. Minha fantasia desmoronou. Acho que nunca mais quis ser cientista. A única sobrevivência que tive daqueles dias de glória foi quando entramos para o turno da tarde, acho que na quinta série, e usamos jalecos brancos nas aulas de ciências, uma espécie de rito de iniciação da maioridade, numa sala muito maior que a antiga, menos mágica, muito mais ascética, e cheia de mesas compridas com banquinhos e um quadro negro, por cujos espaços nos esgueirávamos naquela geometria labiríntica dos quadrados, desse percurso que faziam as vezes de corredores abertos por nosso recalcitrante caminhar e abaixar de cabeças por entre os instrumentos de medição, bússola, barômetro, esquadro, ampulheta ... minha memória agora fui refrescando através de um ‘site de material de laboratório de física e química’ e, imediatamente, me lembrei das aulas em que a gente ia manuseando esses instrumentos tolos, com todo o cuidado do mundo, e estranhando a todo momento, os nomes difíceis de serem guardados. Como esses aí embaixo, de que me familiarizei logo, transportada no tempo:
Balão de Kitasato - pornográfico! Técnica japonesa
Bico de Bunsen - pornográfico!
Bureta - pornográfico!
Funil - pornográfico!
Funil de Buchner - pornográfico!
Funil de decantação - pornográfico!
Pipeta graduada e pipeta volumétrica - pornográfico!
Suporte de tubos de ensaio - pornográfico!
Tubo de ensaio - pornográfico!
Tubo de vidro - pornográfico!
Vareta de vidro - pornográfico também!
Condensador - ??

..........................SEX SHOP



NAQUELA MAQUETE DO HOMEM NA LUA tinha alumínio e bonecos playmobil. Me lembro como aquela pegada me impressionava. Era das imagens que eu mais olhava na Barsa. Por esses dias, eu tinha uns 13 anos, desenhei um satélite tirado de lá. E, mais pra frente, na mesma época, um Lorde Byron, por conta do meu interesse no romantismo trágico, dos poetas malditos. E fora que a beleza dele era quase feminina, ao mesmo tempo grega e sensível. Eu vivia consultando a Barsa pra buscar biografias de famosos (Humboldt, Lord Byron, Newton, Montaigne, Descartes) perguntas e respostas sobre os fenômenos da natureza (o eclipse lunar, a luz, a chuva, a trovoada, o terremoto, o vulcanismo, curiosidades sobre os animais: por que a coruja enxerga de noite, o radar dos morcegos, a colméia de abelhas, a teia de aranha ... e tinha toda a coleção de literatura clássica européia da Abril Nova Cultural encadernada em edições especiais de capa dura. Os livros sempre inundaram a minha arquitetura mental. Pra eles tenho o quarto dos eleitos, tudo com uma inocência pra lá de inacreditável! Walt Disney e Monteiro Lobato brilharam na minha constelação de personagens infantis e no panteão das divindades da Criação.
Eu sempre me impressionei com as coisas fantásticas, macro ou micro.
Mas, minha memória sempre foi péssima! Se eu lembrasse de tudo que li!

Plantei o feijãozinho, fiz a experiência do ovo entrando na garrafa, virei o copo pra baixo segurado só pelo papel, fiz coleção de tatu-bolinha, matei muita lagartixa pra minha mãe, parti minhoca no meio pra ver se nascia outra, procurei minhoca de duas cabeças, nunca achei, de noite botei plástico na planta pra ela morrer sufocada e ver aquelas gotículas de desespero se formando nas paredes de plástico sádicas, e só desamarrava de manhãzinha, passei com roda de bicleta em cima de tapete de taturana multicolorida no passeio, no início com o maior gozo, depois morrendo de remorso, e por fim defendendo a ecologia contra os meus colegas de rua mal conscientizados, brinquei com sombra na parede, prendi besouro no vidro e coloquei álcool pra ver o que acontecia (nada), antes parti ele no meio com uma faca abri e não tinha nada ????? só ar! Cadê os intestinos, estômago, todos aqueles órgãos do abdômen? Como é que esse cara vivia?! ???? Caramujo de jardim, pus no vidro também. E hoje não sei por quê ainda tenho uma bruxa presa num vidro de azeitona aqui em casa! Aliás minha casa é povoada de casulos de mariposas. O banheiro é onde elas mais gostam de botar os ovos. Fica aquela fileira organizadinha de bolinhas formando um quadradinho. Antes eu matava lagartixa, agora tô matando mariposa. Não dá, é muita mariposa aqui em casa, das pequenininhas, que não me deixam dormir. Ficam zanzando de um lado pro outro do quarto e me irrita! Acabo matando, e se não matar é capaz de virar um enxame. Adeus minha solidariedade com os bichos, carne da minha carne. Outra curiosidade que eu buscava - até há pouco, nas enciclopédias (agora virtuais) - eram os processos de metamorfose da lagarta em borboleta, e numa dessas descobri que borboleta não era a mesma coisa que mariposa. Fiquei encantada com a vida das mariposas e sua relação com a lua, as voltas em elipse buscando orientação na luz. É que a luz das casas da cidade as confunde em relação à luz da lua, que é a luz natural que elas tendem a seguir. Aí ficam dando voltas desgovernadas em volta das lâmpadas pedindo socorro por uma orientação ... não é diferente de mim ... enganadas pela luz artificial acabam morrendo queimadas nas armadilhas dos holofotes. Isso eu aprendi na Barsa, mas tinha esquecido!
Aos 13 anos fui parar na biblioteca pública, a Luís de Bessa, me internando lá com os livros do Freud . Não entendia nada do que lia, mas achava que entendia tudo! Não é nada diferente hoje! 'Froid' (é como está escrito no papel) voltou num desenho meu com data rabiscada "outubro 1986". Esse desenho eu guardei! A intenção minha não era desenhar o Freud, mas foi o formato que o desenho da cabeça foi ganhando no meu imaginário hiperinflado de coisas macro. Fica fácil assim se sentir um 'inseto'!


"'Froid' outubro 86"

VER 'DIÁRIO' DE PONTORMO

Nabokov entomologista

Que cara! Parece que ele tá prestes a subir aquele morrinho de Psicose ...! Que gracinha de bermuda, um garotinho!

Minha redação


Título dado pela professora pra gente complementar na "Redação 22": "Se eu fosse ..."

A última frase é: "Ah, se eu fosse um livro de poesias!" "novembro 85". Sonho dos 12 anos.

Nossa! Que geniozinho!

Duerer

quarta-feira, 4 de abril de 2007

A lua hoje

Essa aqui não chegou nem aos pés do laranja
grande que ficou no céu

......................... ao sul
......................... embaixo
............................................................... no finalzinho da tarde hoje
(F.)

saindo da UFMG ...

“Hoje um bunch de árvores caiu bem em frente do meu caminho. Splatsch ... espatifou como mágica. Foi um momento sublime. Nunca um bunch de frutos de uma árvore caiu daquele jeito. Casca de jatobá que se espatifa como cerâmica fina, em lâminas”.


"Isso é sorte" me avisou o homem. E eu respondi: eu sei, já fiz meu pedido!.

(F.)

Gravura Intimista de Amor e Melancolia - vai ser essa gravura (para o meu diário)

A Melancolia criativa

Menina Moça - Bernadim Ribeiro
Novela sentimental

A MELANCOLIA I de Duerer

Simbologia do nigredo

“A autêntica arte está contida na natureza e aquele que consegue aprendê-la a alcança” (Albrecht Dürer)

Literatura de viagem




domingo, 1 de abril de 2007